Tem coisas incompreensíveis na administração pública. Uma delas ocorreu nesta semana, quando, sem avisar e sem consultar ninguém, de uma canetada, o governo do Estado decidiu criar novas onze áreas de proteção ambiental, prejudicando dezenas de famílias que vivem nestes locais, algumas há anos e causando grande susto entre os produtores rurais. Comunidades de  Porto Velho, Cujubim, Machadinho do Oeste, Costa Marques, Pimenta Bueno e São Francisco do Guaporé foram atingidas, sem qualquer preparo, sem qualquer aviso. O assunto repercutiu como uma bomba na Assembleia Legislativa, geralmente parceira do governo, com protestos vindos de todos os lados. "Há 20 anos que não se criavam áreas de preservação em Rondônia e agora, de uma só vez, o Governo criou 11 reservas, sem nenhum estudo prévio. E o pior: a parte dessas reservas fica em terras produtivas, com títulos definitivos, com documentos e produzindo há décadas. Não tem explicação e não podemos aceitar essa medida", discursou o sempre comedido Maurão da Carvalho, presidente da Casa, que, como seus pares, não aceitou a decisão impositiva, sem qualquer discussão com a sociedade. A situação chegou a tal ponto que a Assembleia rejeitou, por unanimidade, o decreto governamental  que criava as onze novas áreas de proteção, surgidas do nada e de uma hora para outra. Só para se ter ideia do que essa medida representaria, seriam mais de 600  mil hectares colocados como reserva, de um dia para o outro, ignorando a presença, em grande parte dessas áreas, de famílias que ali residem produzem e da terra sobrevivem há décadas. A coisa foi tão séria que vários deputados, geralmente aliados ao Governo, registraram vigoroso protesto contra a medida, como Jean Oliveira, Adelino Follador, Laerte Gomes, Alex Redano e Jesuíno Boabaid, entre tantos outros.

Nos 600 mil hectares que o Estado queria transformar em área de preservação, do dia para noite, existem plantações de arroz e soja, criação de gado e produção leiteira, que representam o sustento de centenas e centenas de pessoas. A forma como o projeto foi encaminhado para votação, sem qualquer conversa e pegando a todos de surpresa, chegou a ser questionado se partiu mesmo do Governo e se era do conhecimento pleno do governador Confúcio Moura. Não é do estilo dele fazer esse tipo de ato e os projetos do governo, geralmente são mote de conversas e troca de opiniões com o parlamento e representantes da sociedade. Dessa vez, o governo Confúcio pisou na bola (ou no tomate, para ficar mais dentro do tema relacionado com a terra): quis impor no grito a invenção de áreas de proteção no Estado, como se fosse apenas representante de ONGs internacionais e representante de partidos de esquerda, que querem a Amazônia só para eles, sem conversar com ninguém. Ainda bem que se deu mal...

 

 

 

BATEU O DESESPERO NO SINTERO

Agora bateu o desespero. O Sintero está muito perto de ter que terminar uma greve que começou achando que estava com a bola cheia, mas que  pode deixá-lo com a  cabeça baixa e as pernas quebradas. No sentido figurado, claro. O Sindicato só tem até o 7 de abril para conseguir algum avanço na sua desesperada negociação com o Governo. Depois disso, bye bye. Só daqui um ano e corre o risco de, além de não avançar em nada, ainda ter que pagar pesadas multas determinadas pela Justiça (elas já passam de 1 milhão de reais) e, ainda, acabar como vilão na história. A invasão destrambelhada da Seduc, no Palácio Rio Madeira/CPA; o fechamento da BR 364, interrompendo o trânsito no Estado por mais de seis horas e a promessa feita para, neste próximo domingo, esculhambar a solenidade de entrega do Espaço Alternativo, pelo governador Confúcio Moura (a festividade foi cancelada, pelas ameaças), demonstram que a radicalização do movimento extrapolou as reivindicações trabalhistas e se tornou também ação política. Confúcio já avisou que não vai atender a pauta de pedidos, porque não tem como fazê-lo. A única esperança do Sintero seria Daniel Pereira assumir o governo num dia e no outro desfazer tudo o que Confúcio fez, para conter os gastos, liberando as reivindicações para o sindicato. Nem isso pode. Daniel não iria correr o risco de romper a Lei de responsabilidade Fiscal e ainda colocar Rondônia na rota da quebradeira, como vários outros Estados. Como o Sintero sairá dessa enrascada?

 

CAERD: TRÊS ANOS SEM MANUTENÇÃO

Por falar em sindicato, o Sindur, que reúne os servidores da Caerd, emitiu nota pesadíssima essa semana, protestando contra os constantes atrasos de salários dos servidores; contra a contratação de dezenas de cargos comissionados com altos salários e, mais ainda, contra a falta de cuidados da direção da empresa, para com a manutenção dos equipamentos, causadores de vários problemas e responsáveis pela falta de abastecimento de água por vários dias, na Capital. Em um trecho da nota, o Sindur diz que os empregados da Caerd vêm alertando a direção da companhia para a necessidade de constante manutenção preventiva dos equipamentos, o que não é feito nos últimos três anos. O rompimento de adutoras na área de Santo Antônio e no Bate Estaca, que causaram a falta de água que chegou a mais de 10 dias em algumas áreas de Porto Velho, são prova, segundo o sindicato, de que o alerta nunca foi levado a sério. O Sindur também diz, em nota oficial, que tudo o que está acontecendo de negativo na Caerd parece ser um esquema para forçar a privatização e que reunirá seus associados, nos próximos dias, para decidir se eles entrarão ou não em greve novamente. Os salários continuam atrasados. Não se sabe se os super salários dos apaniguados também...

 

ANIMAL OU SER HUMANO?

Um animal assassino tem cura? Alguns tem, é claro, mas outros continuarão sendo animais e matando. O caso do  bandido que tentou assaltar e atirou, covardemente e à queima roupa no ator Gerson Brenner, em agosto de 1998, é mais uma prova de que cadeia não recupera quase ninguém. O açougueiro Lucimar Sabino Santos, que acabou com a carreira do ator, já que ele foi baleado na cabeça e perdeu massa encefálica, ficando com sequelas para o resto da vida, ficou 20 anos na cadeia. Dias atrás conseguiu fugir, depois de cumprir uma pena enorme, porque não foi beneficiado por avanços legais que permitem que assassinos andem a solta pelas ruas. Logo que saiu da prisão, ele fez o que sabe fazer muito bem: atacou uma mulher, a estuprou e a matou. Denúncias anônimas levaram a polícia até o criminoso, que está novamente atrás das grades, mas só até escapar de novo. A carreira de Gerson Brenner foi destruída quando ele estava no auge. Sua família também. Os direitos humanos nunca se preocuparam com ele, a não ser amigos e alguns familiares. O assassino, em breve, estará solto, para caçar mais uma vítima. É o Brasil! 

 

“JEITINHO” INCONSTITUCIONAL

Virou baderna mesmo. Um pequeno grupo de gatos pingados, dizendo-se representante de estudantes, protestando contra o Consórcio SIM do transporte coletivo e contra a forma como a Prefeitura de Porto Velho vem tratando a questão dos ônibus, interrompeu o trânsito na principal avenida da cidade, a 7 de Setembro, durante quase uma hora, na manhã desta quarta. Agora é assim: qualquer grupelho, seja qual for e sob que bandeira for, que for para a rua, tem o direito de tirar o direito dos outros. Na terça, um grupo maior, o de professores grevistas, interrompeu a BR 364 em Candeias e Vilhena por quase seis horas. Nada aconteceu. Seguidamente, grupos de sem terra, ou um tal de atingidos por barragens ou outro que quer a emancipação da Ponta do Abunã ou outro que exige mais energia para sua região, trancafia a BR 364, deixando milhares de pessoas no desespero. Tem alguma autoridade para fazer cumprir a lei e a Constituição, garantindo o direito de ir e vir dos cidadãos e cidadãs que nada tem a ver com os protestos? Claro que não. Daí a PRF vai “dialogar”, enquanto filas que chegam a mais de 50 quilômetros, se formam tanto para sair quanto para entrar no Estado, com gente desesperada, esperando horas a fio para passar. Isso é democracia? É sim um atentado à Constituição brasileira!  Mas na interpretação de quem deveria fazer cumprir a lei, claro que é mais fácil dar um “jeitinho” do que salvaguardar o direito das maiorias...

 

CONFÚCIO E O ÚLTIMO CAPÍTULO

Já está começando. Por enquanto devagar, mas como o feriadão vem aí e a segunda-feira já será 2 de abril (cerca de 48 horas antes do chefe oficializar a saída), algumas gavetas já estão sendo limpas, no complexo do Palácio Rio Madeira/CPA. Na terça, amplia-se a varrida na sala, a retirada de documentos pessoais e pertences de alguns dos atuais assessores de Confúcio Moura que sairão junto com o comandante, provavelmente na quarta, dia 4. A agenda de Confúcio, por exemplo, só tem compromissos marcados até o final da quarta e esse é mais um indício que na quinta-feira, dia 5, Rondônia acordará sob o governo de Daniel Pereira. Confúcio tem que renunciar ao cargo, porque é candidatíssimo a uma das duas vagas que temos para o Senado. A única dúvida ainda é se ele irá mesmo pelo MDB, partido em que está em praticamente toda a sua vida pública ou se trocará de sigla, na 25ª hora. O que se ouve nos corredores é que o Governador estaria com um pé no DEM, o partido de José Bianco e de Marcos Rogério. Mas, mesmo aos mais próximos, ele não tem aberto o jogo sobre sua decisão. Publicamente, Confúcio repete que fica no partido em que está há mais de três décadas. Mas nem seus próprios companheiro, incluindo os mais antigos, têm certeza absoluta disso. Ou seja, a novela vai ter suspense até o último capítulo.

 

“UM CRUZADO DE DIREITA”!

O homem da extrema direita, Jair Bolsonaro, continua suas andanças pelo Brasil. Segundo a Folha de São Paulo, nesta semana, quando visitou a cidade paranaense de São José dos Pinhais, “ele atravessou os 70 metros do saguão do aeroporto Afonso Pena até a rua, onde o carro que o esperava estacionado, sem tocar os pés no chão”! Bolsonaro foi carregado por uma pequena multidão, que o chamava de Mito e Presidente e acabou colocando uma faixa presidencial. Para gáudio de cerca de  centenas de fãs, o presidenciável fez um trocadilho, dizendo que sua eleição representará “um cruzado de direita” nos opositores e atacou o presidente Lula, com suas frases criativas. “Lula quis fazer do Brasil um galheiro e agora está colhendo os ovos”, ironizou, sobre os ataques que o ex Presidente sofreu na semana passada, no sul do país. Bolsonaro não comentou nada sobre o tiro disparado contra um ônibus da caravana de Lula e continuou sua pregação que a direita adora, avisando que, em seu governo, a Polícia Militar voltará a ter o direito de atirar nos bandidos para  matar. Bolsonaro continua em segundo lugar em todas as pesquisas, só perdendo para o próprio Lula.

 

PERGUNTINHA

O que você acha que o tiro contra o ônibus da caravana do ex presidente Lula: foi mesmo um atentado, que merece protesto e repúdio ou, como comentam os adversários, apenas uma encenação para criar um factoide e vitimizar o petista?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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